Revista do Vestibular da Uerj
Uerj DSEA SR-1
Rio de Janeiro, 11/12/2018
Ano 9, n. 25, 2016
ISSN 1984-1604

Artigos

O outro lado da redação do ENEM

por Daniele Andrade da Costa de Pinho

Produzir um texto, a partir de um comando e de textos de motivadores, envolve algumas dificuldades. Escreve-se para um outro, mas não exatamente pelo outro, em seu lugar. Essa escrita é mais angustiante, superficial e difícil.

A escola é o local em que mais se solicita redigir dissertações. Por ser um gênero textual tipicamente escolar, as avaliações em larga escala apresentam também essa predileção. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), um dos mais importantes exames de larga escala do país, se insere nesse contexto [...]

As Duas Culturas

por Guilherme Preger

A juventude é uma época de grandes indecisões frente a grandes questões, sendo talvez a maior delas a proverbial: “o que farei quando crescer?”. Ou, em outra perspectiva, qual a profissão que o jovem estudante deve escolher para desempenhar durante sua vida adulta? 

Quase sempre para ajudar a decisão, essa questão é reduzida para outra questão preliminar: “sou de humanas ou sou de exatas?”. É como se todo o conhecimento humano estivesse dividido em duas grandes áreas, as das Ciências Exatas e das Humanidades [...]

De frente para a cidade: uma leitura da poesia de Carlos Drummond de Andrade

por Adriana Freitas

Impossível caminhar na praia de Copacabana sem contemplar a estátua de Carlos Drummond de Andrade sobre um banco do calçadão. A obra, do escultor mineiro Leo Santana, foi construída a partir de uma fotografia de Rogério Reis, em que Drummond, com sua habitual postura tímida, aparece de frente para a cidade e de costas para o mar.

De modo oportuno, a escultura, de frente para a cidade, parece reafirmar um tema frequente na poesia de Drummond: o espaço urbano. Subvertendo a imagem contemplativa que a estátua pode sugerir, a relação do poeta com a cidade é tensa, cética1 e ambígua [...]

Colunas

Gustavo BernardoGustavo Bernardo

Por que cobrar a leitura de livros de literatura no vestibular?

No Rio de Janeiro, os candidatos que prestam vestibular não precisam ler previamente nenhum livro. Isto acontece há pelo menos duas décadas. 

É assim em todo o país? Na verdade, não. Por exemplo: para o ano letivo de 2016, no Brasil, os vestibulares de 26 universidades, públicas e particulares, indicaram listas de livros de literatura. A quantidade de livros indicados pelas universidades variou entre 3 e 16 livros, mas a maioria delas indicou 5 livros.

Isso significa que os vestibulares do Rio de Janeiro, com esta lacuna, acabam por promover: o desprestígio crescente da literatura no ensino médio; o desenvolvimento insuficiente da habilidade de leitura, e já há bem mais de uma geração

Nílson José MachadoNílson José Machado

Tetraedro: a imaginação

I – A lagartixa e o jacaré

Há um quadro de Magritte que representa a capacidade de extrapolar a partir de um contexto: o artista é capaz de ver um ovo e pintar uma ave.

Há um poema de Blake que nos fala de “ver o mundo em um grão de areia e todo o céu em uma flor selvagem, em ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora”. Também aqui, as capacidades de articulação micro/macro, de combinação análise/síntese são especialmente valorizadas
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