Revista do Vestibular da Uerj
Uerj DSEA SR-1
Rio de Janeiro, 24/11/2017
Ano 9, n. 25, 2016
ISSN 1984-1604

Inicial » Artigos » O uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular (parte I)

Artigos

O uso de jornais e revistas na preparação para o vestibular (parte I), por Ana Regina Bastos

Ano 1, n. 1, 2008

Autor: Ana Regina Bastos

Sobre o autor: Ana Regina Bastos é mestre em Geografia Humana (USP), professora assistente da UERJ (atuação no Departamento de Seleção Acadêmica, no Colégio de Aplicação e na Prática de Ensino de Geografia) e professora do Colégio Pedro II.

Publicado em: 29/09/2009

O convite para escrever nesta revista eletrônica muito me honrou e desejo aproveitá-lo para abordar um tema bastante relevante para a comunidade envolvida com os vestibulares. Jornais e revistas constituem, juntos, excelentes recursos pedagógicos e, como tal, são também instrumentos utilizados nas provas de diversos vestibulares (especialmente, nas provas de redação e nas provas das disciplinas da área de ciências humanas). 

A preparação para o vestibular requer atenção no uso desses recursos, tanto da parte dos alunos, quanto da dos professores em sua ação didática no ensino médio. No interior desta temática, merecem destaque duas linhas de reflexão: a importância da leitura e da utilização de jornais e revistas na formação do indivíduo, o que envolve a construção do conhecimento, e os cuidados que devem ser observados por docentes e discentes quando esses veículos de comunicação são incorporados na prática pedagógica e em questões de provas. Abordarei a primeira dessas duas linhas de reflexão, deixando a segunda para a próxima coluna.

É imperioso ressaltar a importância do ato de ler na formação mais geral do indivíduo. Como revela o saudoso pedagogo Paulo Freire, o ato de ler não se esgota na decodificação pura e simples da palavra escrita, mas alimenta e amplia a compreensão das coisas e do mundo. Logo, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, mas se alonga ao incorporar uma representação do mesmo no texto escrito, tendo como referência um dado contexto histórico. Linguagem, representação e realidade se prendem dinâmica e mutuamente.

No conjunto das práticas leitoras, não é possível prescindir de textos como os científicos e os de ficção. No entanto, ler continuamente jornais e revistas com seriedade é tarefa necessária. Vários são os argumentos de defesa para a utilização desses recursos. Detenho-me em dois a seguir.

A leitura de jornais e revistas facilita a atualização sobre a dinâmica dos acontecimentos e promove o enriquecimento do debate sobre temas atuais.

A rapidez com que a notícia é veiculada por esses meios é clara, garantindo a complementaridade da construção do conhecimento promovida pelas aulas e pelos livros didáticos. O apoio didático representado pelo uso de jornais e revistas aproxima os alunos do mundo que os cerca. Salvo alguns cuidados, que serão abordados na próxima coluna, o discurso jornalístico propicia uma relativa aproximação com a intenção de veracidade e objetividade, já que, muitas vezes, apresenta um caráter documental com registro histórico da atualidade dos fatos, apresentando análise de acontecimentos importantes da dinâmica social, política e econômica, nas escalas local, regional, nacional e internacional.  

As características de diversificação e de atualização dos conteúdos, apresentados com linguagem concisa e de forma transdisciplinar, são atributos que ajudam no aprimoramento da crítica e da capacidade de fazer escolhas.

O desenvolvimento dos processos de aprendizagem, com o permanente uso desses veículos, possibilita exercitar as capacidades de atenção, observação, interpretação, síntese, análise, associação, comparação, o que aprimora o poder de argumentação e de crítica. A simples seleção do que usar dos jornais e revistas já representa um recorte crítico e participativo do que interessa na preparação para os vestibulares. Ao buscar as notícias e reportagens que interessam, ignorando outras (isto é, ao editar a leitura), já há estímulo à tomada de decisões, a partir de um processo de seleção. Iniciando por esse estímulo e incorporando novos conhecimentos no processo de aprendizagem, se desenvolve a capacidade de questionamento sobre que representação do real é veiculada - e sobre como é veiculada -, favorecendo a formação de opinião.

Logo, para concluir este primeiro texto sobre o tema, o posicionamento crítico embutido na competência da leitura aponta para a construção da cidadania. Isso denota que o uso de jornais e revistas é indispensável no processo educativo, principalmente no momento histórico atual, em que a velocidade e a instantaneidade são marcas evidentes no mundo.

 

@2008-2017, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Todos os direitos reservados