Revista do Vestibular da Uerj
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Rio de Janeiro, 23/09/2017
Ano 9, n. 25, 2016
ISSN 1984-1604

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Artigos

Uma questão de prova não se constrói no vazio, por Elisabeth Hadad Murad

Ano 2, n. 5, 2009

Autor: Elisabeth Hadad Murad

Sobre o autor: Diretora do Departamento de Seleção Acadêmica da UERJ

Publicado em: 22/01/2010

Há muito constatamos a pouca atenção destinada ao processo de preparação de provas e, especialmente, a uma das fases desse processo: a formulação de questões. Em concursos públicos, vestibulares, provas escolares e outras aferições, é comum observar questões formuladas sem a utilização de técnicas apropriadas, parecendo não haver mesmo um conceito de medida e de avaliação que as fundamente.

Como medida e avaliação mantêm estreita relação, é possível aquilatar os prejuízos causados a quem se submete a um instrumento de medida inadequado. Se medir é colher e ordenar informações, considerando o aspecto quantitativo, e se avaliar é dar significado ao que foi medido, é refletir sobre os resultados da medida, como julgar com isenção o resultado de um instrumento de medida feito sem planejamento, sem definição de objetivo, sem critérios de escolha de conteúdo? O professor em geral apoia-se basicamente em provas para referendar suas avaliações, portanto, é imprescindível que ele possua a habilidade de elaborar essas provas.

Há duas etapas que consideramos essenciais no processo de elaboração de uma prova - etapas, muitas vezes, descartadas pela tentação de utilizar questões de fácil formulação e com assuntos nem sempre relevantes. São elas:

1. Definição clara do propósito da prova: para que esta prova? (trata-se de um concurso público ou de um exame de término de unidade, por exemplo?) o que medir nesta prova? que diferença ela expressará entre o ontem e o hoje? A cada uma dessas respostas corresponde um tipo de prova, que deve fornecer, num mínimo de tempo, o máximo de informações sobre o desempenho de um indivíduo.

2. Especificação dos objetivos ou dos comportamentos ou das competências / habilidades a verificar. Aqui, o professor deverá arrolar tudo que pretende aferir, definindo em que níveis cognitivos estarão as suas questões. Numa abordagem mais simplificada, pode-se utilizar a classificação das competências / habilidades em cinco níveis - observação, interpretação, análise, avaliação ou criação -, distribuindo, de forma equilibrada, os conteúdos a serem abordados em cada um. Esta etapa tem relação direta com a formulação propriamente dita de questões com qualidade.

Este é um tema que pretendemos aprofundar em outros artigos. É fundamental, porém, lembrar sempre que prova alguma poderá ser inteiramente satisfatória se partir do vazio. Uma prova, para contribuir com a construção e apropriação do conhecimento, deve ter relevância nas competências / habilidades a serem aferidas, significância nos conteúdos escolhidos e engenho na sua elaboração.

 

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